|
Para
a maioria das pessoas, o aluguel continua sendo visto como
"dinheiro jogado fora", e a casa própria ainda é o
sonho da vida de muitas famílias. Se esta também é a sua
meta, saiba que ela pode ser realizada antes do que você
pensa, bastando, para isso, um pouco mais de sacrifício
pessoal.
A
decisão de financiar ou alugar um imóvel certamente não é
fácil, e depende muito da sua situação financeira atual.
Antes de decidir, existem alguns cuidados que você precisa
tomar para ter a certeza de que está fazendo um bom negócio.
Reflita
antes de tomar sua decisão
Comprar
um imóvel proporciona um sentimento de conquista, pois morar
em algo seu é bastante prazeroso. Entretanto, antes de pensar
em comprar seu primeiro imóvel, é preciso ter em mente
algumas questões.
A
sua estrutura familiar já está bem definida? Você é
solteiro, pretende se casar, mas não sabe quando? Você é
casado e está pensando em aumentar a família? Você e sua
família pretendem mudar de estado ou país, mas não sabem
quando? Refletir sobre estas perguntas vai evitar que você
acabe comprando um imóvel que, em pouco tempo, vai deixar de
atender às suas necessidades.
Se
você ainda não sabe ao certo a resposta para estas questões,
talvez o melhor seja optar pelo aluguel até a situação
estar um pouco mais definida. Nas grandes cidades, onde a
oferta de imóveis é bastante grande, você consegue
encontrar um imóvel semi-novo para alugar por cerca de 0,75%
do seu valor. Assim, por um imóvel avaliado em R$ 100 mil,
você estaria pagando algo como R$ 750 por mês.
Alugar
por alguns anos pode valer a pena Não vale a pena financiar
um apartamento de um quarto por 20 anos, se você sabe que em
poucos meses vai precisar de um apartamento maior. Neste caso,
a melhor opção seria ou financiar um imóvel que já atenda
às suas necessidades (2-
3 quartos
) e gastar um pouco mais com a prestação, ou alugar um
apartamento extremamente simples por um valor modesto e, com a
diferença, juntar um pouco mais de dinheiro, para então
financiar uma parcela menor do seu novo apartamento.
Ao
contrário do que muita gente pensa, em algumas situações
vale mais a pena alugar, e esperar um pouco mais até que você
junte mais dinheiro. Não se esqueça de que, ao financiar um
imóvel, você também terá de arcar com outros custos, como
despesa de escritura, taxa de corretagem (caso tenha usado um
corretor) e, naturalmente, a depreciação do próprio imóvel.
É
verdade que, ao comprar um imóvel mais antigo, você não
arca com boa parte da depreciação. Mas, por outro lado,
estes imóveis tendem ser mais difíceis de vender, ou
acarretam custos mais altos de manutenção. Certamente não
vale a pena incorrer nestes custos se você já pensa em se
desfazer do imóvel em pouco tempo.
Ainda
que você possa vender o imóvel, isso leva tempo, pois
depende de encontrar um comprador. Isto sem falar nos custos
relacionados à venda do imóvel! Se, por outro lado, a sua
vida pessoal e profissional já está definida, e o casamento
já está marcado, está na hora de pensar seriamente na
compra de um imóvel.
Comparando
os custos
A
maior parte dos brasileiros pensa que não existe outra
maneira de adquirir o primeiro imóvel além do financiamento.
Tente enxergar o problema de uma outra forma: ao invés de ir
a um banco e fazer um financiamento, calcule a diferença
entre o aluguel e a prestação do financiamento, e veja o
quanto sobra.
Tente
pesquisar junto a imobiliárias da região qual pode ser o
potencial de valorização do imóvel de seu interesse em
cinco anos. Esta informação é muito importante, pois irá
permitir entender se os juros que está pagando na compra do
imóvel estão sendo bem gastos, ou não. Em outras palavras,
se o imóvel tiver um bom potencial de valorização, então
financiar, apesar dos gastos com juros, pode se provar uma boa
opção. Para tanto, é preciso comparar o custo oportunidade
de se financiar e de se alugar.
Estabeleça
um período para o qual você irá comparar as duas
possibilidades. Para efeito de ilustração, digamos que este
período seja de 5 anos, ou 60 meses. Calcule o quanto poderia
acumular, investindo o valor que economiza com o aluguel e o
que daria de entrada no imóvel caso optasse pelo
financiamento. Vamos assumir, por exemplo, que o imóvel de
seu interesse esteja avaliado em R$ 100 mil. Neste caso, o
aluguel seria de aproximadamente R$ 750, e a entrada de R$ 30
mil.
Considere,
neste exemplo, que o prazo do financiamento seja de 60 meses,
e que os juros cobrados sejam de 12% ao ano, sendo que o saldo
é corrigido mensalmente pela TR. Na prática isso equivale a
uma taxa de cerca de 1,20% ao mês. A prestação, sob essas
variáveis, seria de R$ 1.643, o que permitiria uma economia
frente ao aluguel de R$ 893.
Se
você investisse este dinheiro, mais o da entrada, por 60
meses, a uma taxa líquida de 1,1% ao mês, este seria o
retorno que poderia se esperar em uma aplicação de renda
fixa de longo prazo, já que, neste caso, a alíquota de IR é
de 15%. Ao final do período, teria acumulado R$ 133 mil. Caso
o imóvel tenha valorizado mais do que isso, então, financiar
teria valido mais a pena, senão o aluguel teria sido a melhor
escolha.
Experiências
pessoais
Ao
comprar seu apartamento
em São Paulo
, o designer Maurício Pollacsek, 30, pagou à vista após ter
morado 4 anos de aluguel. Segundo ele, a compra à vista não
foi planejada, e ainda restam dúvidas se seu procedimento foi
o mais adequado. Desde os 13 anos, os pais de Maurício já
haviam aplicado uma quantia num fundo, que foi crescendo ao
longo de sua vida com os constantes depósitos que ele próprio
fez.
Há
menos de um ano, o designer tinha o suficiente para adquirir
seu imóvel de dois dormitórios, mas se arrepende por não
ter poupado mais. "Se tivesse viajado menos e feito menos
compras pessoais, poderia ter demorado menos tempo para
conseguir o apartamento e hoje estaria com um carro
melhor".
Já
o dentista Wilson Afonso Junior, 30, está indo para o oitavo
ano de aluguel, pois quer evitar ao máximo o financiamento.
"Prefiro economizar todo mês a entrar numa dívida que
nunca termina".
Por
morar sozinho, o aluguel de seu apartamento é relativamente
baixo. "Estou esperando para juntar mais e, na pior das
hipóteses, financiar apenas um pequeno valor", define.
Uma
das vantagens do investimento em imóveis é a disciplina de
poupar do investidor. A poupança é um sacrifício que é
recompensado pelo sonho da casa própria. Além isso, um imóvel
pode proporcionar um complemento na aposentadoria com os aluguéis.
Uma coisa é certa: qualquer que seja a sua decisão, você só
conseguirá realizar o sonho da casa própria se começar
desde já planejando seu futuro. Nunca tome uma decisão, sem
antes pensar com cuidado no impacto que ela pode ter no seu
bolso hoje e no futuro!
|