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Toque
seguro
Interruptores
e as tomadas estão cada vez mais sofisticados. O design tornou-se
um dos principais diferenciais, já que a qualidade é condição
consolidada com a certificação compulsória estabelecida pelo
Inmetro
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Os
interruptores e as tomadas estão cada vez mais sofisticados e
com gama variada de cores e formatos. O design é um dos
principais elementos de concorrência entre os fabricantes, já
que a qualidade, ao menos em tese, é condição consolidada
no mercado com a certificação compulsória estabelecida pelo
Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial) para esses produtos. O selo do órgão
atesta a conformidade às normas técnicas vigentes.
De acordo com o engenheiro Marcio
Coelho de Oliveira, da Fundação Vanzolini, a certificação
compulsória reduziu alguns problemas nos interruptores como,
por exemplo, a colagem do contato depois da tecla acionada.
"Era preciso fazer maior esforço para desativar o
interruptor", explica. Em relação a esse problema,
usa-se prata com um percentual de pureza elevado para evitar a
colagem do contato", explica.
Os interruptores são constituídos
basicamente de termoplásticos isolantes, partes condutoras de
liga de cobre, elementos de contato em prata e liga de cobre e
parafusos de fixação de placas de ferro revestidos
eletroliticamente. "Os interruptores têm bornes que
podem receber até dois cabos ou fios de até 2,5 mm², o que
facilita quando for preciso fazer um jump ou ponte para dar
continuidade ao circuito", explica o engenheiro Jacques
Toutain, responsável técnico da Fame.
Segundo a Fame, os interruptores
podem ser simples, para comandar uma ou mais luminárias de um
único local, paralelos para comandar uma ou mais luminárias
de dois locais diferentes, ou intermediários, usados em
conjunto com interruptor paralelo para comandar uma ou mais
luminárias de vários locais diferentes. Há ainda o
interruptor pulsador, usado para cigarras, campainhas musicais
ou minuterias.
O interruptor é um dispositivo
livre de manutenção, desde que instalado em um circuito elétrico
e ambiente adequados. "No máximo deve-se limpar a placa
de acabamento com uma flanela ou pano macio, sempre seco e
deve ser substituído sempre que apresentar mau
funcionamento", explica Toutain. O número de manobras
especificado pela norma vigente é de 40 mil operações de
liga/desliga.
Dimmers e sensores
Esses componentes eletrônicos não
têm certificação compulsória, por isso o cuidado na compra
deve ser maior. Os produtos apresentam tendência à
miniaturização. Há sempre novidade nos tamanhos e características
de reajustes com maior potência de serviço, como a temporização,
detecção e controle de cargas de nível residencial.
Em geral, os dimmers são
especificados na obra como condição de conforto e segurança.
Indicados para locais onde há necessidade de controle de
luminosidade, os dimmers possibilitam a criação de cenários
no ambiente. "Faz parte de uma linha mais completa de
produtos com funções diferenciadas para atender as classes A
e B", explica Antonio Eduardo de Souza, gerente de
marketing da Pial Legrand.
Já os sensores de presença muitas
vezes tomam a função dos interruptores e mantêm as luzes
desligadas onde não haja a permanência de pessoas no
ambiente, por isso têm como principal característica a
economia de energia.
As luzes se acendem quando o
equipamento detecta movimento e permanecem acesas por um tempo
predeterminado. Já os timmers, mais indicados em
empreendimentos comerciais, fazem a ligação com certos tipos
de circuito de luz em um horário do dia permitindo o maior
controle de gastos com a iluminação.
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A
partir de janeiro de 2007, só deverão ser vendidos
plugues e tomadas com o novo padrão: três pinos e
maior profundidade
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Tomadas
O segmento de plugues e tomadas deve
sofrer alterações até janeiro de 2007 para se alinhar às
determinações do Inmetro. Essa é a data estabelecida pela
portaria 19 para que as tomadas e plugues se ajustem à NBR
14136:1998, norma que estabelece a padronização desses
produtos. Além da entrada para o fio terra, as tomadas
padronizadas são mais fundas, os pinos e orifícios possuem
diâmetros diferentes e todas já vêm com contato central,
oferecendo maior segurança contra choques e sobrecargas. Com
o novo padrão, os produtos atenderão os requisitos de
segurança e exigências da norma de instalações elétricas
(NBR 5410).
Existe uma discussão quanto à
adequação das empresas ao novo padrão. "Não vejo como
viável a implantação para o início do próximo ano",
acredita Antonio Eduardo de Souza, gerente de marketing da
Pial Legrand. "Estamos adequados e com o produto lançado
no mercado, mas muitos fabricantes não se mexeram e não terão
tempo hábil", conclui.
A prática vigente ainda permite a
inserção de vários modelos de plugues, conectados a
equipamentos de diferentes tensões e correntes, o que pode
ocasionar, além da perda dos equipamentos, danos à instalação
elétrica. "As empresas estão se adequando, verificando
como o mercado vai funcionar, e, em paralelo, retirando aos
poucos as tomadas que estão na residência e implantando
outras", diz o engenheiro mecânico Marcio Coelho de
Oliveira, da diretoria de certificação da Fundação
Vanzolini. Tais medidas devem possibilitar que em longo prazo
haja uniformidade nas instalações.
NORMAS TÉCNICAS
Interruptores
NBR NM 60669-1:2004 - Interruptores
para instalações elétricas fixas domésticas e análogas.
Parte 1: Requisitos gerais (IEC 60669-1:2000, MOD).
NBR IEC 60669-2-1:2005 -
Interruptores para instalações elétricas fixas residenciais
e similares. Parte 2-1: Requisitos particulares -
Interruptores eletrônicos.
NBR IEC 60669-2-2:2005 -
Interruptores para instalações elétricas fixas residenciais
e similares. Parte 2: Requisitos particulares Seção 2:
Interruptores de comando à distância (telerruptores).
NBR IEC 60669-2-3:2005 -
Interruptores para instalações elétricas fixas residenciais
e similares. Parte 2-3: Requisitos particulares -
Interruptores temporizados.
Plugues e tomadas de uso doméstico
NBR NM 60884-1:2004 - Plugues e
tomadas para uso doméstico e análogo. Parte 1: Requisitos
gerais (IEC 60884-1:1994, MOD).
NBR 14136:1998 - Plugues e tomadas
para uso doméstico e análogos até 20A/250V c.a - Padronização.
Instalações elétricas
NBR 5410 - Instalações elétricas
de baixa tensão.
ENTREVISTA - Agostinho Tomaselli
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"Exigência
de selo do Inmetro melhorou a qualidade dos
materiais"
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Certificação compulsória
Se o código de defesa do consumidor
já estipula a obrigatoriedade do cumprimento das normas, por
que a necessidade de certificação compulsória?
Para facilitar a fiscalização.
Todo material com certificação compulsória deve ter o selo
do Inmetro. Se não tiver, o fiscal já apreende o produto,
caso contrário, teria de mandar ensaiar para verificar se está
ou não dentro da norma. A certificação voluntária é para
distinguir um produto dos demais, já a compulsória, que é
um facilitador fiscal, nivela os produtos por baixo porque
todo mundo tem de ter. O problema é que se a função é
facilitar a fiscalização quem deveria pagar é o governo e não
o fabricante, que ainda tem de pagar uma taxa ao órgão
certificador para certificar seu produto.
Isso melhorou a qualidade dos
produtos?
Vários materiais utilizados
indevidamente deixaram de ser empregados, como o caso dos
materiais ferrosos em interruptores.
A falta de certificação compulsória
para instalações elétricas pode prejudicar os produtos
certificados?
O principal requisito para a
certificação de uma instalação é que os materiais sejam
certificados. Se as construtoras e incorporadoras exigissem
que suas instalações fossem certificadas, induziriam a
preferência pelos materiais certificados. Então, para os
fabricantes é muito importante que as instalações sejam
certificadas porque as instaladoras darão preferência para
produtos certificados.
O que o construtor deve observar
quando contrata um projeto?
Tem de confiar no projetista porque
ele não vai fiscalizar se a qualidade do projeto é boa. Mas
o consultor vai examinar o projeto e verificar se obedece ao
memorial descritivo e o as built tem de estar adequado ao
projeto inicial. A norma exige que se faça a inspeção pelo
instalador ao longo e final da obra. Quando vamos certificar
uma instalação, não inspecionamos, mas auditamos partes da
inspeção para ver se foi bem-feito. Mas o as built não se
faz no Brasil, as instalações elétricas não são
entregues, mas abandonadas
Agostinho Tomaselli,
coordenador de Certificação de Produtos da Fundação
Vanzolini
Mesa-redonda
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Os
fabricantes chineses entraram no mercado brasileiro de
produtos elétricos de forma significativa?
Eduardo Daniel
- Os cordões com plugues chineses têm presença maciça
no que diz respeito aos condutores.
Isso prejudicou bastante o setor
porque não há um fabricante sendo
certificado. É um ponto fraco do processo de certificação
brasileiro, que prevê a certificação por lote. Os chineses
trazem equipamentos montados em lotes com a marca deles.
Renzo Codazzi - Não há
presença de indústrias chinesas na linha de interruptores,
tomadas e alguns equipamentos de instalações fixas. Talvez
por causa de nosso preço.
Júlio César Carpanez - A
principal razão é o baixo preço, já que o valor agregado
é bastante baixo. A própria concorrência no mercado
brasileiro já é grande entre os fabricantes de tomadas. O número
de empresas instaladas no Brasil é grande e a
competitividade, bastante acirrada. O design dos produtos
brasileiros é outro fator de competitividade. Temos um bom
jogo de cintura para desenvolver esse aspecto. A linha de
interruptores deixou de ser só funcional e passou a ser
objeto de decoração.
Quais as novas tecnologias desses
produtos?
Codazzi
- Há uma tendência de uso de interruptores eletrônicos
em casas inteligentes com diversos
comandos centralizados.
Carpanez - De um modo geral a
tecnologia de interruptores evolui para a busca da melhor
performance do produto em termos de mecanismo e cinematismo.
Pode-se dizer que o design dos
materiais é o principal ponto de concorrência entre os
fabricantes desses produtos?
Carpanez
- A qualidade é condição fundamental, até porque os
produtos são certificados e é preciso ter uma qualidade mínima
assegurada. Mas a parte estética, funcional e decorativa do
segmento de interruptores e tomada é muito forte hoje em dia.
As empresas que se sobressaem inovam, buscam design arrojado,
novas cores, novas formas, enfim, o conforto da linha de
interruptores automáticos.
Paulo Barreto - No caso de
interruptores e tomadas, que deixa de ser só a parte
funcional para ter também a parte estética, o primeiro ponto
é a certificação compulsória, que nivela um referencial mínimo
de qualidade. O segundo aspecto, é que os componentes
precisam ser especificados pelo projetista de instalações,
pela arquitetura e pela preferência do usuário. Não dá
para qualquer um desses três definir por
conta própria.
Atualmente, o que há de mais
significativo quanto à certificação compulsória?
Carpanez
- A obrigatoriedade do padrão nacional da utilização de
tomadas. Os fabricantes comercializariam só o padrão novo,
de acordo com a NBR 14136.
Barreto - Concordo. A
certificação já é imposta para plugues, interruptores e
tomadas. O que tem hoje no mercado está certificado e
qualquer outro padrão ou produto que entre nessa linha tem
também de estar certificada. Não vejo nenhuma mudança a não
ser o novo formato de tomadas, que traz mais segurança.
Codazzi - As tomadas possuem
a marca de compulsoriedade mas existe um ensaio feito pela
metade. Por exemplo, ninguém faz o ensaio de introdução
parcial do pino. Ninguém atenderia a esse requisito. Hoje em
dia ainda se consegue encostar no pino antes que esse toque o
alvéolo.
Por maior que seja a preocupação
quanto à segurança do ponto de vista da fabricação, o
brasileiro não costuma ter esse tipo de preocupação. Como
resolver isso?
Daniel - Enxergamos a tomada,
mas o problema é o que está por dentro da instalação, que
não é visível mas extremamente perigoso. Uma tomada
certificada não vai garantir o controle de proteção na
instalação. Alguns dados do Procobre (Instituto Brasileiro
do Cobre) assustam. Em 2002, a instituição pesquisou 620
residências em São Paulo e atestou que quase todas tinham
algum tipo de problema grave na instalação. A questão é
que os equipamentos funcionam sem o controle de proteção,
que não foi feito para proteger equipamento, mas sim as
pessoas.
Carpanez - Aí tem de ter um
envolvimento de todo o setor no sentido de conscientizar o público
final. É uma responsabilidade do fabricante dos equipamentos,
das entidades de classe e do pessoal da imprensa. Já começamos
a avançar quanto ao uso do DR, por exemplo, porque o pessoal
de projeto está começando a se conscientizar da necessidade
do dispositivo referencial.
Barreto - Nos próximos cinco
anos teremos os principais materiais de instalações elétricas
certificados compulsoriamente, pelo menos no que envolve
segurança. Só que a instalação elétrica, que é o
conjunto desses componentes, não tem certificação compulsória.
Então, não adianta nada. Vai se usar disjuntor, condutor, o
dispositivo DR, só que a instalação pode estar projetada e
executada absolutamente fora de norma. Isso queima, inclusive,
a imagem dos bons produtos. Às vezes o problema não é do
produto, mas do dimensionamento ou execução que foram feitos
de forma errada.
O Inmetro não poderia interferir
para resolver esse problema?
Daniel
- O Inmetro só atua nos produtos, por isso a instalação não
entra nesse mérito.
O que o bom projeto tem de
prever?
Fábio Sydney Antonio
- Os requisitos definidos pela norma de instalação, porque a
especificação dos componentes está amarrada à norma.
Barreto - É importante
quebrar a barreira de que o projeto é despesa, porque tem de
ser parte integrante do produto que pretende comercializar.
O que é importante na contratação
do projeto de instalação?
Barreto
- Tem de ter um diálogo na fase de estudo preliminar, em que
o projetista vai procurar absorver a expectativa do usuário.
Problemas simples, como fazer três ou quatro acionamentos
distintos no mesmo ponto é mais uma falha de conduta do
profissional em elaboração do projeto, do que ausência de
alternativas técnicas.
Edson Yoshinori Ueti - Não
adianta um bom produto e projeto se for executado por alguém
que não tenha o conhecimento necessário.
Carpanez - A instalação já
executada é um ponto importante dentro do processo de obtenção
do produto final porque a cadeia não pára no projeto. O
construtor tem de contratar um eletricista habilitado, com
condições técnicas para realizar o projeto adequadamente, o
que nem sempre acontece. Pode haver um bom projeto mas o
produto final nem sempre estará de
acordo com o que se quer. Às vezes,
um produto certificado pode não funcionar nas mãos do
eletricista.
Existe alguma ação dos
fabricantes para informar os eletricistas?
Carpanez
- Os fabricantes procuram colocar nos catálogos ou nos
manuais de instrução o maior número de informações técnicas
possíveis. Além disso, há também todo um trabalho no
sentido de ministrar cursos, palestras técnicas sobre instalação
de interruptor de tomada, de variadores e sensores de presença
e de disjuntores. Todo o espaço que se abre para o
treinamento e qualificação do profissional é importante
para o fabricante, para as entidades, para o próprio
profissional e conseqüentemente para a sociedade.
Reportagem de Kelly Carvalho
Construção Mercado 59 - junho de
2006
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