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CRIAÇÃO
DE AMBIENTES
DIVISÓRIAS PISO-TETO FORMAM ESPAÇOS E, AO MESMO TEMPO,
INTEGRAM A PROPOSTA VISUAL DO PROJETO. VARIEDADE DE MATERIAL NÃO
É PROBLEMA: SÓ FALTA A REVISÃO DAS NORMAS, PREVISTA PARA
2007
POR LAURIMAR COELHO
Em
vez de paredes de tijolos, divisórias. A opção ganha
adeptos e destaque em projetos criativos, que brincam com a
proposta visual de escritórios aliando-a às novas
possibilidades de materiais. Produzidas com perfil de metal ou
madeira, as divisórias podem ter acabamentos que vão da
madeira natural, passando pelo vidro, tecido, aglomerados,
laminados de resina, acrílico e até metal. Os fabricantes
apontam como tendência o uso de materiais que transmitam
discrição, com linhas retas, arestas e ângulos marcados, e
os tons que marcam os projetos no exterior, principalmente na
Europa, são o dourado e o ônix com acabamento polido e
acetinado.
Com
o aumento de opções, a utilização do sistema ultrapassa o
ambiente corporativo e as coloca até em residências. Outra
característica que atrai adeptos é a possibilidade de
reaproveitamento em outros ambientes, além da facilidade que
oferecem na transformação de layout, em tempo de escritórios
open space.
O
especificador encontra diversas categorias de divisórias
piso-teto: Há desde as mais simples, padronizadas, como os
painéis de divisórias navais e o drywall, encontrados
prontos e montados conforme projeto, até as mais específicas,
como as acústicas, que normalmente utilizam vidro e madeira e
são fornecidas mediante o projeto de interiores. Algumas
divisórias usam persianas entre vidros e películas jateadas
com listras ou lisas. O sistema de fixação, em geral, é
formado por estruturas de alumínio com clipe do tipo
macho-e-fêmea que proporciona o saque frontal dos painéis de
fechamento e, assim, facilita o remanejamento e a manutenção
da instalação elétrica e de telefonia que podem passar
internamente pelos painéis. O acabamento dos perfis de alumínio
geralmente é anodizado acetinado, sendo comum também a
utilização de alumínio polido e pintura epóxi.
A
norma NBR 15.141 (ABNT) especifica as características físicas,
dimensionais e classifica esses elementos modulares. "Ao
contrário da divisória do tipo painel, que tem um caráter
predominante de móvel com altura limitada, a do tipo
piso-teto é um elemento da construção e adota a função da
parede", explica Clovis Correa Bucich, professor do
departamento de engenharia industrial da Universidade Federal
do Rio de Janeiro e membro da Comissão de Normalização de
Mobiliário de Escritório (CB-15), da ABNT. Isso faz com que
tenham exigências maiores, visto que não apenas dividem como
recriam ambientes fechados que podem ter luminosidade, ventilação
ou rotas de fuga prejudicadas se não forem bem especificadas.
"As divisórias piso-teto devem responder a requisitos acústicos,
térmicos, de luminosidade e principalmente de prevenção à
propagação de incêndio, de vapores tóxicos e na preservação
de rotas de fuga", explica Bucich.
A
espessura pode variar de 20 mm a 100 mm entre as chapas de
fechamento. Porém, quando se usam cabos blindados, o vão
entre as faces da divisória pode ser ainda menor, porque não
há a necessidade de condutores. Grandes volumes de cabos
podem ser acomodados em um shaft acessório, estrutura
vertical para passagem que não interfere com os módulos
adjacentes.
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Privacidade
Há também padrões para a capacidade de atenuação de ruídos,
definidos por norma. Uma divisória é classificada fraca, por
exemplo, quando não é capaz de barrar sons abaixo de 30 decibéis.
Isso corresponde a uma conversação normal em voz baixa. Já a
divisória considerada razoável é aquela capaz de atenuar sons
entre 30 e 35 decibéis, ou seja, a conversação normal é
razoavelmente entendida, mas a em voz alta é totalmente percebida.
Uma boa divisória é aquela que, no mínimo, atenua sons entre 35 e
40 decibéis (conversação alta com baixo índice de compreensão).
Mas as excelentes são isolantes de sons acima dos 50 decibéis, ou
seja, uma conversação em tom de voz bastante alterado (85 decibéis)
torna-se fracamente audível e com baixo índice de compreensão.
"Atualmente, a versatilidade das divisórias é tão grande,
que permite aos arquitetos a escolha de materiais que dão ao
ambiente total conforto e o máximo isolamento acústico e térmico",
reforça Bucich.
Ensaios
O IPT realiza os ensaios de resistência em divisórias baseados na
norma NBR 15.141, que especifica as características físicas e
dimensionais de divisórias modulares do tipo piso-teto. São testes
que avaliam a capacidade de reutilização do produto (montagem,
desmontagem e remontagem), de resistência ao fogo, impactos, corrosão
e à compressão, além de ensaios que avaliam a capacidade de
atenuação de ruídos. Mas, até o final do ano, a ABNT deve rever
essa norma, pois os resultados dos ensaios têm dado margem à dupla
interpretação.
Segundo
Cristina Kanaciro, pesquisadora do IPT, "a norma determina os métodos
de ensaios de resistência e durabilidade das divisórias piso-teto,
porém não define parâmetros". Isso quer dizer que, com os
resultados obtidos nos testes, não é possível definir claramente
se o produto é realmente de qualidade. "Ao concluir que a
divisória analisada obteve um índice x ou y em resistência a
impacto, por exemplo, o fabricante ou mesmo o arquiteto que deseja
utilizar o produto fica sem saber se ele vai atender de fato às
suas expectativas e às necessidades do consumidor." Se um
fabricante oferece seu produto para análise, fica sabendo apenas o
limite máximo de resistência daquele produto. Não há um parâmetro
que diz se esse valor é bom ou não. Outro ponto importante é o
fato de muitas divisórias serem feitas sob encomenda, dificultando
a padronização de garantias como durabilidade e segurança. Nesses
casos, a opção é saber se o material utilizado para a fabricação
da divisória passou ou não por algum teste e exigir o laudo do
fornecedor. Ainda assim, isso tampouco garante que o resultado final
da divisória será satisfatório, porque podem ocorrer microfalhas
na instalação.
Para
Cristina, o resultado obtido em cada ensaio é na verdade apenas um
relato do limite de resistência alcançado por determinado produto
analisado. "Mas tal informação pouco ajuda e não determina
se o produto em questão é de fato seguro ou resistente. Mesmo
realizando testes comparativos entre sistemas similares ou
concorrentes, os estudos continuam sem parâmetros reais, porque
dizer que uma divisória alcançou índices melhores do que a outra
não representa nada", diz Cristina.
Para
Clélia Elisa Basseto, secretária do Comitê de Normas Técnicas da
ABNT, a descrição dos ensaios e dos métodos utilizados deve ser
mais clara para que os resultados sejam mais objetivos. "Alguns
dos testes feitos nos laboratórios, como o de resistência à
compressão excêntrica, por exemplo, que expõe o material a esforços
extremos, precisam ser revistos. Há ensaios que chegam a
representar até mesmo risco à segurança dos técnicos que os
executam", afirma.
Para
o professor Clovis Bucich, a resistência ao fogo é uma das questões
mais importantes a serem analisadas pela comissão ao longo deste
ano. "Se a norma estabelece parâmetros muito abaixo do ideal,
isso não traz benefício para ninguém, porque não há garantia
real de segurança do produto. E se tais parâmetros são
extremamente exigentes, os fabricantes nunca conseguem atender à
norma e o mercado continua sem referência de qualidade",
argumenta.
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