Contrapiso


Veja como a Souen & Nahas diminuiu o consumo de argamassa para regularizar lajes

A Souen & Nahas está executando um edifício residencial na cidade de São Paulo com estrutura de concreto armado moldada in loco e alvenaria de vedação de blocos de concreto. O contrapiso foi executado com argamassa produzida no próprio pavimento, depois de levantadas as paredes. A mão-de-obra desse serviço é subempreitada e a construtora monitora o consumo de materiais. O cimento, por exemplo, é monitorado por pavimento e, com base nos resultados obtidos, a construtora procura continuamente reduzir os consumos. 

Diagnóstico


Os cuidados tomados para reduzir as perdas começaram na execução da laje, procurando-se melhorar a geometria prevista em projeto. Isso foi possível com o uso de referências de nível e de fôrmas mais confiáveis - essas ações contribuíram para que a superfície final das lajes tivesse melhor acabamento e nivelamento. 

Dado os bons resultados na etapa de estrutura, a construtora passou a definir procedimentos de execução para a etapa de contrapiso, além de realizar treinamento com os funcionários e controlar a quantidade de materiais enviados ao pavimento, para a execução do serviço.

Considerações sobre o consumo


Para monitorar o consumo, a construtora levantou o número de sacos de cimento utilizados por pavimento. Considerando que o peso do saco é de 50 kg e sabendo o tamanho da área executada, foi possível estimar o consumo de cimento por metro quadrado de contrapiso (a tabela mostra os resultados obtidos). 
A construtora, a partir daí, pôde definir novos procedimentos de execução e requisitos de geometria e nível, que implicaram redução de argamassa. Note que tanto no 8o quanto no 13o andar os resultados são bem expressivos. Para isso, primeiramente foram separados os níveis dos dois apartamentos do pavimento. Em seguida, foram identificados os ambientes que necessitariam de lajes de maior espessura, para melhorar o isolamento acústico em ambientes críticos.

Conclusão do gestor


"Conforme dados apresentados, vimos mais uma vez que a parceria entre as Construtoras, SindusCon-SP e Gesconmat (Gestão do Consumo de Materiais nos Canteiros de Obras) vem trazendo a todos nós cada vez mais resultados positivos. O projeto do Gesconmat quando nos foi apresentado foi visto como de difícil aplicação e um novo desafio dentro da Construtora, pois teríamos de conscientizar a mão-de-obra além de implicar uma fiscalização maior por parte da equipe de obra, já com grandes responsabilidades. Entretanto, graças ao esforço e aplicação de todos os envolvidos no projeto, tanto dentro do canteiro quanto fora dele, alcançamos ótimos resultados em relação ao consumo de materiais. 
Isso apenas nos mostra que, apesar das dificuldades, temos ainda muito espaço para evolução e racionalização em nossos canteiros de obra. Além disso criamos um procedimento para o controle de consumo de materiais dentro do nosso programa de gestão da qualidade. Hoje todos nossos canteiros controlam o consumo de materiais." 



Obra: Condomínio Palazzo de Luca

Área construída: 6.789,97 m²Tipologia: residencial de médio padrão

Construtora: Souen & Nahas Construtora e Incorporadora

Responsável pela obra: Marcelo Mauricio Nahas



Caracterização do serviço de contrapiso

As lajes de edifícios recebem normalmente uma camada de contrapiso, para regularização antes da aplicação dos revestimentos. A execução requer o controle dos insumos para o preparo da argamassa e cuidados de dosagem. Envolve também o processo de transporte e o lançamento da argamassa. A base deve estar limpa para criar uma boa ponte de aderência. Isso é feito antes da execução das taliscas, que são referências para o nivelamento da argamassa lançada. A camada poderá ter espessuras bem variáveis nos diversos pontos, demandando mais ou menos argamassa, conforme o acabamento da laje. Para fins de estimativa de materiais, apresenta-se, a seguir, uma régua de "consumo de argamassa/m² de contrapiso", adaptada do livro TCPO - Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos, 12a edição. Note que a faixa mostra valores variando entre 20 e 77,5 l/m2 e que os valores foram levantados em diversas obras de edifícios. Considerando-se que o traço adotado pela obra demandava 345 kg de cimento/m3 de contrapiso aplicado, os consumos da ordem de 7 kg de cimento/m2 significam pouco mais de 20 l de argamassa/m2. Esse valor está muito próximo do mínimo citado na régua de consumos e que é igual ao mínimo prescrito para a obra. Tal resultado somente foi possível devido à qualidade geométrica da laje executada, da precisão do contrapiso, da eliminação da influência de certas áreas do pavimento sobre as demais e graças à melhor especificação dos acabamentos. 



Marcelo Maurício NahasGerente de obras

Por que a construtora optou por continuar a executar o contrapiso, sendo que a laje executada no nível zero elimina essa etapa? 

Fizemos essa opção para evitarmos transtornos que as laje zero podem causar. Como são mais delgadas, depois de carregadas, tendem a ter pequenas deformações. Isso nos leva de novo ao contrapiso.

 Qual foi o percentual de economia com essas medidas?

Se compararmos aos números apresentados pelo TCPO como consumo médio (33,5 l/m²) chegamos a uma média de aproximadamente 36,5% abaixo (21,25 l/m²), o que é, sem dúvida, um grande avanço. 

Como a mão-de-obra assimilou as medidas de racionalização?

Entendeu bem, porque as medidas eram simples. Passamos a controlar melhor o serviço e conscientizamos os pedreiros de que teríamos retrabalho se não fosse bem-feito. Além disso, acabamos gerando um banco de dados de consumo.

O tipo de argamassa (industrializada ou virada em obra) tem influência no índice de perdas?

Nós só utilizamos argamassa virada em obra. Isso requer cuidado com a umidade da areia, pois se inchar, altera o traço de cimento colocado na mistura. O que conta mesmo, na nossa opinião, é a fiscalização e controle dos materiais. 

Esta seção mostra as ações corretivas adotadas por construtoras para reduzir desperdícios de materiais em canteiro. As informações foram fornecidas pelas construtoras ao programa Gesconmat (Gestão do Consumo de Materiais nos Canteiros de Obras) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, SindusCon-SP e Finep, coordenado pelos professores Ubiraci Lemes Espinelli de Souza, da Poli-USP e José Carlos Paliari, da Universidade Federal de São Carlos.

Colaborou: Regiane Grigoli Pessarello

Construção Mercado 48 - julho de 2005 


 

 

 

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