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Concreto
Aparente
No
Brasil, não faltam exemplos marcantes, como as obras idealizadas
por Oscar Niemeyer e as de Ruy Ohtake, que tiram bastante proveito
da beleza plástica do concreto. Em São Paulo, encontram-se edifícios
emblemáticos como o da IBM, o Tribunal Regional do Trabalho de São
Paulo (acima), a sede dos Correios, a Fiesp (Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo), o Masp (Museu de Arte de São Paulo) e o
Hotel Unique, que utiliza três cores de concreto aparente. No Rio
de Janeiro, duas novas obras se destacam: o Estádio João Havelange,
construído em pré-moldados de concreto, e a Cidade da Música. Em
fase de finalização, a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre,
diferencia-se por usar o concreto aparente branco. O
concreto aparente caracteriza-se por deixar à vista sua coloração
e textura naturais. A superfície pode ser protegida por uma película,
desde que seja transparente e incolor. "Tal e qual o concreto
revestido, o material deve resistir a agentes agressivos, que levam
à corrosão das armaduras e comprometem a estrutura", destaca
Cláudio Oliveira, gerente do Projeto Indústria da ABCP (Associação
Brasileira de Cimento Portland). "Não
há limites técnicos para uso do concreto aparente", diz o
engenheiro civil Thomas Garcia Carmona, diretor da Abece (Associação
Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e da Exata
Engenharia e Assessoria SS. Plasticidade, resistência e
durabilidade fazem o material altamente conveniente na versão
aparente. "No entanto, quando em contato direto com agentes
agressivos, não se recomenda essa alternativa", alerta o
arquiteto Ricardo Alencar, consultor de concreto e membro do Comitê
Técnico Pré-Moldados do Ibracon (Instituto Brasileiro do
Concreto). "Trabalhabilidade,
coesão, baixíssima exsudação, baixa carbonatação e alta resistência
são as principais características que o concreto aparente deve
apresentar", resume o engenheiro civil Paulo Roberto do Lago
Helene, professor titular do departamento de engenharia de construção
civil da Escola Politécnica da USP e presidente do Ibracon. O
concreto deve ter baixa porosidade, baixo índice de fissuração,
além de coloração e textura compatíveis com a aparência que se
deseja. Para resultar na estética intencionada pelo projeto de
arquitetura, Ricardo Alencar ressalta que "o material deve
possuir um nível superior de acabamento superficial e ser isento de
imperfeições". Durabilidade
e resistência "Infelizmente,
por enquanto, não há na Norma Brasileira qualquer especificação
de durabilidade de projeto. Em princípio, subentende-se que 50 anos
é o mínimo razoável", destaca Paulo Helene. No Brasil,
encontram-se edifícios bastante antigos de concreto aparente e que,
com gastos normais de manutenção, têm durabilidade muito superior
a 50 anos. Na
falta de ensaios comprobatórios de desempenho da durabilidade da
estrutura frente ao tipo e nível de agressividade previsto em
projeto, a NBR 6118 estabelece para cada classe de agressividade
prevista (fraca, média, forte e muito forte) valores mínimos de
relação água/cimento, resistência à compressão e cobrimento
nominal. Também
por questões de durabilidade, em ambientes rurais com agressividade
fraca, deve-se usar concretos de resistências superiores a 20 MPa.
No caso de um edifício em orla marítima com agressividade forte,
aconselha-se o concreto com resistência mínima de 30 MPa. "Com
o desenvolvimento de aditivos plastificantes de alta eficiência, já
é possível produzir concretos com resistências acima de 100 MPa,
como os utilizados em alguns pilares do edifício e-Tower em São
Paulo", exemplifica o gerente da ABCP, Cláudio Oliveira. O
mix certo "Qualquer
tipo de cimento Portland pode ser adotado no concreto
aparente", afirma Oliveira. Mas, para cada situação, o
presidente do Ibracon recomenda um tipo diferente. Os cimentos com
adições tipo CP III e CP IV garantem resistência à lixiviação
e aumentam a impermeabilidade do material. Os pozolânicos tipo CP
IV minimizam o risco de reações álcali-agregado. Os do tipo CP I
e CP V sem adições reduzem a profundidade de carbonatação. Já
os cimentos com adições tipo CP III e CP IV com adição extra de
sílica ativa e cinza de casca de arroz diminuem a penetração de
cloretos. A
escolha do cimento também pode levar em conta fatores estéticos,
pois normalmente está associada à cor da matéria-prima. No
concreto aparente com pigmentos – que devem ser de base inorgânica
–, o cimento Portland branco estrutural é o mais indicado para a
obtenção de cores mais claras. Para produzir pré-fabricados, no
entanto, o fator preponderante é o tempo de desenforma. Por isso,
para se conseguir um saque mais rápido, recomenda-se o uso do CP V
(ARI), que proporciona alta resistência inicial em tempo curto.
"Porém, quando o concreto está exposto a águas residuais
industriais, esgoto ou solos contaminados (sulfatados) a opção é
o ARI-RS." Adições
e aditivos O
aditivo inibidor químico de ação mista, que pode ser tanto
incorporado à massa do concreto quanto aplicado diretamente sobre a
superfície do concreto endurecido, evita as reações anódicas e
catódicas de corrosão das armaduras. Aditivos
plastificantes, polifuncionais, super ou hiperplastificantes são
recomendáveis para tornar o concreto mais fluido e facilitar o
adensamento em peças esbeltas e/ou com alta taxa de armadura. Dependendo
das características da obra e dos elementos a serem concretados,
aditivos aceleradores ou controladores de hidratação podem ser
necessários para tornar o material mais trabalhável. Nessa situação,
o concreto deve ser dosado com um nível apropriado de argamassa e
agregado graúdo com dimensão máxima, adequando-se aos espaçamentos
entre as amaduras. Películas
de proteção Cuidados
na execução O
sucesso ou não da execução depende de alguns cuidados, começando
pelo projeto. "Tanto o arquitetônico como o estrutural deve
considerar as condições de exposição", enfatiza Carmona.
Detalhes de projeto que modificam o fluxo da água de chuva – como
chapins nos topos de platibandas e paredes, pingadeiras nos beirais
etc. – evitam acumulação de água sobre a superfície do
concreto.
O
uso do mesmo tipo de cimento, que garante a homogeneidade da cor, a
aplicação uniforme de desmoldante, os cuidados com o lançamento e
adensamento do concreto, para evitar falhas de concretagens, e o
cumprimento do tempo de cura vão definir a qualidade final da obra.
O estudo de dosagem – talvez o mais importante – assegura um
concreto com consistência adequada, capaz de preencher todos os
espaços das fôrmas e armaduras e impedir a ocorrência de segregações
e macroporosidades. Atualmente, o concreto auto-adensável ganha
espaço, por atender todos esses requisitos, com vantagem de
dispensar o uso de vibrador e incrementar a qualidade do produto
acabado.
"A
qualidade das fôrmas é fundamental, pois tudo fica registrado no
concreto", justifica Alencar. Por isso, antes do lançamento
devem ser conferidas dimensões, nivelamento e prumo, em
conformidade com as tolerâncias. As superfícies internas devem
estar limpas e ser suficientemente estanques e seladas, evitando
fuga de argamassa pelas juntas. A utilização correta das armaduras
e a rigidez das fôrmas proporcionam o cobrimento mínimo da
estrutura exposta. Quando
utilizadas fôrmas de madeira, são indicados os desmoldantes à
base de água. Alencar recomenda que sejam saturadas com água, para
minimizar a desidratação do concreto. Já nas metálicas devem ser
aplicados produtos à base de óleo vegetal, que preservam a superfície. Na
etapa da cura, convém proteger as estruturas da incidência direta
do sol e de correntes de vento. "A evaporação da água pode
provocar fissuras na superfície do concreto", alerta o
arquiteto Ricardo Alencar, que recomenda o uso de agentes de cura
nessa etapa. Sempre
que necessário, deve-se realizar reparo na estrutura que apresente
problemas de fissuras, bolhas ou bicheiras, que possam causar prejuízos
estéticos ao concreto aparente. A estucagem é necessária para
preencher os pequenos defeitos de execução e o caldeamento é
aplicado na superfície do concreto para conferir maior
homogeneidade às superfícies acabadas. Particularmente,
na produção de elementos pré-fabricados, onde quase todas as peças
são empregadas aparentes, em geral os moldes são metálicos, pois
proporcionam melhor acabamento. De acordo com Alencar, quando
empregadas fôrmas de chapas de madeira, é comum revestir a superfície
com material plastificado, para atender aos requisitos de qualidade
superficial. Riscos
e soluções Para
evitar a corrosão de armaduras, deve-se conferir os cobrimentos mínimos
com medidas preventivas e controle da qualidade adequado. Na ocorrência
de fissuras na superfície do concreto, seja por retração ou por
outros esforços, indica-se a estucagem (argamassa) que tampa os
vazios, obstruindo a entrada dos agentes agressivos. Em fissuras ou
trincas mais profundas, deve-se injetar material de baixa
viscosidade, geralmente resina epóxi, como medida para reduzir o
risco de corrosão. O
possível contato do concreto com ácidos pode desintegrar a pasta
de cimento e expor o agregado. Como efeito secundário, a
alcalinidade é reduzida, eliminando a passividade das armaduras,
que ficam sujeitas a fenômenos corrosivos. Manutenção No
caso de intervenção e reparos em estruturas com problema de corrosão,
deve-se evitar alterações estéticas no resultado final",
aconselha Alencar. Na maioria dos reparos, pode ser mais viável o
emprego de microconcretos e argamassas industrializadas,
adequadamente formuladas para cada tipo de patologia em questão. O consultor recomenda o uso de argamassas poliméricas, que são tixotrópicas, para superfícies verticais, quando a área a ser reconstituída é rasa e envolve apenas a armadura. Quando se exige uma profundidade maior da área a ser reparada, de difícil acesso ou densamente armada, é indicado o graute com características autonivelantes. Os produtos são encontrados no mercado na própria cor do concreto.
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Foi
no fim do século XVIII que a mistura cimento, areia, agregados e água
tornou-se um dos materiais mais adotados na construção civil. Com
a evolução dos estilos de arquitetura e a supressão dos excessos,
sua trabalhabilidade e aparência neutra possibilitaram a arquitetos
modernos e contemporâneos explorar a forma e a volumetria dos edifícios,
sem a necessidade do uso de acabamentos ou revestimentos.
A
utilização de películas de proteção ou, dependendo do ambiente,
de inibidores de corrosão e retração, incorporados na massa de
concreto fresco, proporcionam maior durabilidade ao concreto.