|
Argamassa
de Assentamento
Construtora
investe em ferramenta de aplicação, treinamento e controle para
reduzir desperdício na etapa de alvenaria
A Concima está executando um conjunto de
edifícios residenciais na cidade de Campinas (SP), constituído de
dois prédios de 20 pavimentos com dois apartamentos por andar e um
dúplex, totalizando 76 apartamentos. Os edifícios têm estrutura
de concreto armado e paredes de alvenaria de blocos de concreto
(blocos inteiros com largura variável: 9 cm, 14 cm e 19 cm
predominando os blocos 9 x 19 x 39 cm, meios-blocos e complementos
de modulação). A argamassa utilizada é fornecida a seco entregue
em silos e transportada para o andar em execução. É misturada no
andar por pedreiros e ajudantes e aplicada com paletas.
Diagnóstico
A construtora adota um controle expedito
(analisa o consumo de um determinado pedreiro pela manhã e de outro
no período da tarde) e também monitora o consumo geral para cada
pavimento. Como resultado, tem um contínuo subsídio para as decisões
de melhoria da gestão. Ao detectar, por exemplo, que um pedreiro
está consumindo material em excesso, procura investigar a causa e
melhorar o desempenho do serviço.
Considerações sobre o consumo
Entre outras medidas, a construtora passou
a especificar argamassa com plasticidade adequada para melhorar a
aderência das peças e reduzir deformações (veja principais
medidas). Essa e outras ações reduziram o consumo de argamassa
para 8,78 l/m2, nível considerado bastante satisfatório, bem
abaixo da faixa mediana adotada como parâmetro para esse tipo de
serviço (veja régua de consumo).
No caso desta obra, em função de serem
utilizados blocos relativamente pesados (13,5 kg, 10,5 kg e 7,2 kg),
não se poderiam esperar consumos muito próximos do valor mínimo.
Por outro lado, o consumo medido está bem abaixo do valor máximo,
o que é devido tanto ao processo de produção (que utiliza paleta
em vez de colher de pedreiro) quanto aos cuidados com a gestão.
Os valores mais elevados de consumo nos
andares 15 e 16 justificam-se pela queda de algumas paredes por
causa de um vendaval ocorrido durante a execução do serviço, o
que exigiu um consumo adicional de argamassa.
|
|
Obra:
The Plaza Tower
Área construída: 16.557,30
m2
Tipologia: residencial padrão
médio alto
Construtora: Concima
Incorporadora Construtora
Engenheiro responsável: Lúcio
Sérgio Gomes
Caracterização do serviço de
alvenaria
Os blocos e tijolos variam quanto à
forma, tamanho e peso. As argamassas utilizadas para
assentamento podem ser produzidas in loco com base em traços-padrão
ou compradas prontas em estado fresco ou seco, neste caso para
serem misturadas no andar em que serão usadas. Para aplicação,
em vez da colher de pedreiro, podem-se utilizar bisnagas,
meias-canas ou paletas (também chamadas tabuinhas ou
desempenadeiras estreitas).
A faixa de consumo médio de
argamassa de assentamento, baseada em dados do TCPO 2003,
indica valores verificados no estudo de várias obras
consideradas modelos. Nota-se que foram constatados valores
extremamente baixos (mínimo de 5,3 l/m2 de alvenaria),
provavelmente típicos de situações muito favoráveis e de
uma execução extremamente eficiente e, por outro lado,
valores bastante elevados (máximo de 37 l de argamassa para a
produção de 1 m2 de alvenaria).
As variações podem ser explicadas
pelas diferenças de produto, por exemplo, considerando-se a
possibilidade de utilização de juntas verticais preenchidas
em percentuais diferentes, o uso de blocos maiores ou menores
etc. e de processo como diferentes ferramentas de aplicação
e uso de escantilhão, por exemplo.
|
|
Conclusão do gestor
"O controle se mostrou uma
ferramenta importante para detectarmos o aumento no consumo de
argamassa. O controle estabelece um determinado volume em função
da quantidade de metros de junta preenchidos. É efetuado duas
vezes ao dia e permite projetar o consumo do pavimento
comparando-o com o índice meta (índice a ser alcançado).
Quando novos funcionários ingressam na obra, aferimos sua
produção e consumo e, se necessário, nós damos treinamento
e monitoramos seu trabalho. Dessa forma, estancamos a perda
acima dos padrões desejados, no início dos serviços."
|
|
|
Lúcio Sérgio Gomes
Gerente de obras
A Concima mudou a forma de
quantificar as perdas?
Sim, antes o levantamento era
global. Com a ajuda do Gesconmat passamos a adotar
procedimentos expeditos que nos proporcionaram visão instantânea
sobre o consumo real e origem das perdas. Adotamos controle de
consumo por módulos (ambiente, apartamento ou andar)
dependendo do material em estudo.
Qual foi a economia obtida com
essa nova forma de quantificação e controle?
Atingimos um índice médio de 14
kg/m2 nos pavimentos 17o e 18o, o que significa uma redução
de 30%, considerando que o índice meta era de 16 kg/m2 e o
previsto, de 20 kg/m2.
Como a mão-de-obra assimilou as
medidas de racionalização?
Aplicamos treinamento específico a
cada atividade antes do início das obras. Enfatizamos o
consumo de materiais e deixamos claro nossas metas e o
controle que será adotado. Eles assimilaram bem as medidas e
nos auxiliaram a levantar os dados e implantar as medidas de
racionalização.
O tipo de argamassa
(industrializada ou virada em obra) tem influência no índice
de perdas?
Não temos dados para responder, mas
acreditamos que não há influência na perda de argamassa o
fato dela vir industrializada ou elaborada no canteiro. A
argamassa industrializada proporciona racionalização no
estoque e facilita a atividade da mão-de-obra, porém tem
custo superior ao da argamassa virada no canteiro.
Esta seção mostra as ações
corretivas adotadas por construtoras para reduzir desperdícios
de materiais em canteiro. As informações foram fornecidas
pelas construtoras ao programa Gesconmat (Gestão do Consumo
de Materiais nos Canteiros de Obras) da Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, SindusCon-SP e Finep, coordenado
pelos professores Ubiraci Lemes Espinelli de Souza, da
Poli-USP e José Carlos Paliari, da Universidade Federal de São
Carlos.
Colaborou: Regiane Grigoli
Pessarello
Construção Mercado 47 - junho
de 2005
|
|